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| A ópera - L'Elisir D'Amore |
O primeiro grande êxito de Caetano Donizetti (1797-1848)
na ópera bufa (ópera cómica) foi precisamente L'Elisir d' Amore. Desde o primeiro momento, que as
melodias simples e folclóricas e o ambiente rural italiano cativaram as simpatias do público.
A ópera estreou-se em 12 de Maio de 1832, em Milão, no Teatro de la Canobbiana.
É de salientar que a partitura inclui uma das áreas mais conhecidas do mundo da ópera,
"Una furtiva lacrima".
Um outro olhar
A ópera de Donizetti narra uma história de amor que tem como pano de fundo a farsa social:
apaixonado por uma jovem rica, um rapaz pobre bebe um elixir que lhe dará as graças da sua amada.
Na mesma altura, e inesperadamente, o jovem recebe uma herança e torna-se o centro das
atenções de todas as raparigas da aldeia. Ao encenar os elementos clássicos da comedia
a acção revela-se simples, eficaz, muito divertida e dá lugar (graças ao génio de Donizetti)
a verdadeiros momentos de êxtase musical.
Perguntei-me qual a aldeia que poderia ser na actualidade o palco desta situação.
Pois, longe de uma qualquer reconstituição histórica, os temas da ópera (a credulidade,
a manipulação das massas, a cultura de lobby, etc.…) ficam a ganhar ao serem reactualizados.
Também me pareceu interessante situar a acção na China Rural do "pós Mao": tomando, por exemplo,
a crença, ela é alimentada, da mesma forma que o era nas nossas aldeias nos últimos
séculos por influência da monarquia e da Igreja. No entanto o poder sonha com
outras cores apesar do prato ser o mesmo e só variar o molho e também aí utiliza todos os meios:
Deus é um senhor velho e careca (Camarada T'se Toung), cuja esfinge cobre dezenas de
metros quadrados das praças, e o charlatão, dantes vendedor ambulante, aparece agora arvorado
em representante duma firma americana (o senhor Bill Coca-Cola).
É próprio da comédia fazer-nos passar momentos agradáveis, onde temos uma ligeira
pena de uns e nos divertimos com as aventuras de outros….mas também proporcionar momentos
de reflexão. Ela penetra onde menos esperamos e surge no momento mais oportuno,
quando convém levar o público a perguntar-se o que é que vai ser do nosso pobre mundo…..
Stefano Giuliani
Personagens:
Adina: rica e caprichosa latifundiária - SOPRANO
Nemorino: cultivador, jovem simples, apaixonado pela Adina - TENOR
Belcore: sargento de regimento na vila - BAIXO
Il Dottor Dulcamara - médico ambulante - BAIXO CÓMICO
Gianetta: aldeã - SOPRANO
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